A Páscoa para os Espíritas

18/06/2018

por Francisco Cajazeiras

Nos tempos pré-mosaicos, há cerca de três mil e quinhentos anos atrás, no período correspondente à páscoa hoje, os hebreus comemoravam a “passagem” das estações, mais especificamente a chegada da primavera. Com o passar dos tempos, essa festa passou a ter outro significado.

Etimologicamente, o vocábulo páscoa deriva do hebraico “pesach”, que significa passagem. Exprime a passagem do “anjo da morte” sobre os primogênitos egípcios – à época em que o povo hebreu vivia escravizado no Egito –, como uma das pragas atribuídas ao poder de Deus mediado por Moisés. Assim como também expressa a passagem pelo Mar Vermelho, quando as águas se “abriram” para a libertação do cativeiro.

Muito depois, Jesus veio à Terra para impulsionar o desenvolvimento da Humanidade, revolucionando costumes e conceitos.

A sua crucificação ocorreu na véspera do período da páscoa judaica e sua ressurreição aconteceu neste período festivo. Com o tempo, a Igreja nascente adotou a festa da Páscoa, com outro significado: a Ressurreição de Jesus.
Do ponto de vista da Doutrina Espírita, a ressurreição é o ressurgimento do Espírito no Mundo Invisível, em corpo espiritual, com a sua roupagem perispiritual.

Jesus foi, em verdade, o primeiro a mostrar-se de maneira ostensiva, clara, repetitiva, diversificada, indubitável a várias pessoas, em diversos lugares. O primeiro a chamar de forma acintosa a atenção do povo para o fato da imortalidade da alma. A sua ressurreição teve fundamental importância para a consolidação da fé da Humanidade na vida após a morte física, ao ponto de ser este fato apontado pelo Apóstolo Paulo de Tarso como o ponto crucial dos seus ensinamentos, o coroamento da doutrina cristã, como se pode depreender de sua afirmativa abaixo:

“E, se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressurgiu.
E, se Cristo não ressurgiu, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.(1)

A páscoa para o espírita é oportunidade para refletir sobre a imortalidade da alma exemplificada por Jesus e reafirmada pela Doutrina Espírita, através dos sérios estudos para a comprovação e o conhecimento das leis que regem a Mediunidade, não se prestando – como de resto nenhuma outra data festiva – à utilização de simbologias destituídas de valor, pelo menos dentro de uma abordagem doutrinária.

É interessante atentarmos para esse pormenor, especialmente nos nossos grupos de Educação Espírita Infantil (Evangelização Infantil), para que não adotemos a festa católica ou reformista com o seu significado, mas que saibamos de maneira límpida dar-lhe o sentido lógico e racional próprio da Doutrina dos Espíritos.

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(1) I Coríntios, 15:13,14.